Muitas das boas músicas populares brasileiras nasceu de brigas de bar e discussões veladas entre os compositores.
Wilson X Noel


WILSON, rebateu a resposta compondo “mocinho da vila” (injusto é seu comentário – fala de malandro que é otário). E NOEL, por sua vez, mandou “feitiço da vila” (lá, em vila Isabel – quem é bacharel – não tem medo de bamba – São Paulo dá café – Minas dá leite – e a vila Isabel dá samba).
Quando todos pensavam que a batalha tinha terminado, WILSON fez a música “conversa fiada”, que logo em seguida foi respondida por NOEL com “palpite infeliz” (pra que ligar a quem não sabe – aonde tem o seu nariz? – quem é você que não sabe o que diz?). WILSON respondeu irritado com “Frankenstein da vila”, referindo-se a falta de queixo de NOEL (entre os feios és o primeiro da fila – todos reconhecem lá na vila – essa indireta é contigo).
Muitas outras surgiram após esta, como “João ninguém” (NOEL) e “terra de cego” (WILSON). Inclusive, a música “terra de cego” foi o ponto chave, onde WILSON encontrou NOEL em um bar na Lapa para lhe mostrar esta última farpa de composição e, neste encontro compuseram sua primeira música juntos, “deixa de ser convencida”, que tratava do único assunto em comum dos 2 brigões, Ceci.
Ernesto X Adoniran

ERNESTO PAULELLI, famoso furão mais conhecido como Arnesto, aquele que mora no Brás e convidou a turma para um samba, jura que este convite nunca foi feito. Ele e ADONIRAN BARBOSA se tornaram amigos em 1939, quando o compositor prometeu lhe compor um samba. Anos depois surgia o grande sucesso (o arnesto nos convidou – prum samba ele mora no Brás – nóis fumo e não encontrêmo ninguém – nóis voltemo cuma baita duma réiva – da outra vez nóis não vai mais).

ERNESTO agradeceu ao amigo ADONIRAN, e quando reclamou do marketing negativo que o samba lhe deu, ADONIRAN justificou que “se nãotem mancada, não tem samba”.
Dalva X Herivelto

Esta é uma das brigas de casal mais positivas que se tem notícia. Pelo menos positiva para os amantes da boa música. DALVA DE OLIVEIRA e HERIVELTO MARTINS eram casados e viviam em guerra, porém, suas discussões não eram somente entre 4 paredes, mas refletiam em suas composições.

Tudo começou quando DALVA compôs “sim” (manchei teu nome – mas foste tu o culpado – deixava-me em casa – me trocando pela orgia), que logo em seguida foi respondida por HERIVELTO com “cabelos brancos” (não falem desta mulher perto de mim – por ela vivo aos trancos e barrancos – respeitem ao menos os meus cabelos brancos).
Muitos outros sucessos surgiram desta briga, como “segredo” (teu mal é comentar o passado – ninguém precisa saber o que houve entre nós dois), “fim da comédia”, “que será”, “caminhemos”.
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